já alguma vez sentiste a fome, fome dos sentidos?
de viver tudo por completo. preencher cada fréstula. completar cada etapa. sentires.te Senhor Dom Rei do teu proprio trono?
e isto de subir muralhas e montanhas num trago só? com as asas afiadas a romper as nuvens da fantasia.
boiando por velas de ouro e caminhos de pés descalços. mas limpos.
subir até já não poder mais, e depois olhar para quem está abaixo e gritar que hoje é possível caminhar, mesmo que a pés atados. gritar que não há amor nenhum, nem coisa nenhuma, nem paixão ardente que suprima em ti o desejo de estar bem contigo mesmo e acompanhada do teu eu.
é uma viagem incrível esta que fazemos ao centro de nós. dormir e adormecer com o espírito em ti, pronto para dar a mão a quem não a quer receber. a insistir em dizer e exclamar que a vida é plena e está a tempo de ser vivida. com os sentidos, com as emoçoões e com a lógica de quem pinta um dragão por sete paredes. com a sensíbilidade de quem compreende o que não domina, ou de quem se deixa dominar mesmo sem compreender. tanto faz!
dizer que o vermelho te pode queimar se tens em ti um lago cheio de sabor para dares de beber a quem ta' peça.
ter a coragem de sorrir a cada esquina sombria, dar sem esperar nada de alguém. e mesmo assim sentirmo-nos plenos.
capazes de ter a coragem de um leão que aceita graciosamente o seu alto e penoso caminho.
porque por ser difícil não significa que tenhamos que sofrer.
e por ser diferente não implica que seja melhor ou pior.
e porque no final, a vida pertence a quem se dá.de sí a sí e aos outros.